Todos querem Morrissey!

2 de abril de 2014

Confesso que comprei esse livro pela capa.

Até aí, nada demais. Já comprei vários assim antes. Fiz isso também com inúmeros discos. Descobri Cocteau Twins pela capa barroca de “Treasure”, o “Standing on the beach” do The Cure (que sempre foi conhecido como “o disco do velho na capa”), o “disco da banana” do Velvet Underground, “The number of the beast”, do Iron Maiden, o “Mask” do Bauhaus, o KooKoo de Debbie Harry (que tinha aquela linda e sinistra capa do H.R.Giger)… enfim, sempre dava um jeito de ficar garimpando em sebos e algumas lojas, algum disco que me chamasse atenção pela capa.

Lembro de um bem bacana… comprei no mesmo dia o “A Broken Frame” (1982) e o “Construction Time again” (1983) do Depeche Mode em uma loja no Méier , só porque vi um conceito ideológico nas capas: um trazia uma camponesa com uma foice e o outro, um operário com um martelo. Nem conhecia direito o som da banda. E nunca me arrependi. Tenho esses vinis até hoje.

Quando vi o “Quem vai ficar com Morrissey” primeiro romance do redator publicitário Leandro Leal na prateleira, entre centenas de outras publicações, tive essa mesma sensação. Imediatamente peguei o livro e mesmo antes de dar uma folheada no prólogo ou na “orelha”, já tinha decidido que ele seria mais um a fazer parte da minha estante.

Já tinha visto o traço do desenho da capa em em algum lugar, mas imediatamente não lembrei de onde, mas segundos depois, estava na cara: Butcher Billy, lógico! O diretor de arte mais bacana da cultura pop, que mistura música, HQ´s, filmes e jogos… O cara que faz Nelson Rodrigues encontrar Velvet Underground, Amy Winehouse se transformar em Mulher Maravilha, Batman o Ian Curtis e os Clockwork Orange Babies (Os Bebês de Laranja Mecânica)! Bem a cara do Fanz mesmo!

Enquanto aguardava um amigo para um cafezinho, abro o livro no índice. As três partes são títulos de canções de Morrissey e Smiths… e mesmo antes de sair da livraria já começo a devorá-lo. Não tem como não curtir! Principalmente para quem também viveu praticamente todas aquelas situações ali, bem parecidas. Aliás, quem nunca teve uma trilha sonora para cada momento de sua vida?

O livro começa com o fim do relacionamento entre Fernando e Lívia, que assim como qualquer casal, deixou-se abater em um determinado momento, pela temida rotina. Lívia sai sem levar nada, mas o que Fernando tem de mais importante, que são as músicas do Morrissey com os Smiths ou em carreira solo (que também estão em sua “jukebox mental”), ele não quer que a ex continue ouvindo, pois afinal, “era um bem que adquiriu antes de conhecê-la e que dividiu com a namorada enquanto estavam juntos”.

As situações, apesar de serem melancólicas, são engraçadíssimas. Enquanto lemos, conseguimos visualizar as cenas, que certamente dariam um excelente filme. Impossível não enxergarmos as referências de Nick Hornby em “Alta Fidelidade” e não entrarmos na onda nostálgica que permeia a prosa ágil entre os capitulos, que é todo entrecortado por lembranças, passando pela infância, adolescência, as descobertas, os porres, os tênis Adidas preto e os shows de rock – Pixies em Curitiba, Radiohead e Kraftwerk na Chácara do Jóquei e infinitos outros mais.

O romance é uma delícia, daqueles que acabam e ficamos com um gostinho de “quero mais”, ou então com aquele sorriso bobo de orelha a orelha. “Quem vai ficar com Morrissey”, título inaugural da Coleção Impulso, etiqueta criada pela Edições Ideal para novos autores, é sobre paixões. “Das que começam e terminam, das que nunca terão fim”, ou daquela luz que nunca vai se apagar.

Por Marcos Araújo

E agora: quem vai ficar com Morrissey?
E agora: quem vai ficar com Morrissey?


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