Marcos Araújo

O Editor do barraco.

Sagitariano com ascendente em Aquário. Jornalista enlouquecendo com o Mestrado. Ian McCulloch, Robert Smith e David Bowie são meus ídolos por toda a vida. Coleciono monstrinhos do cinema, sou tricolor doente, Beija-Flor e Mocidade.  Não sei andar de bicicleta nem jogar cartas, tenho medo de areia movediça, de viajar de avião, do som da cuíca e coisas inimagináveis e absurdas. Sou viciado em Coca-Cola e adoro roubar brigadeiro em festa de criança. Tenho uma banda chamada Soft & Mirabels onde todos curtem um som oitentista e, lógico, o Echo & the Bunnymen . E ainda nisso tudo, pretendo ainda escrever um livro.

Sempre fui um inquieto.  Aprendi a ler muito cedo e tinha uma fascinação pelas enciclopédias que ficavam na estante da casa da minha avó.  Lembro muito bem de alguns volumes pesados da Editora Abril chamado “Os bichos”, que li de cabo a rabo.  Eu devia ter uns cinco anos mais ou menos.

Toda semana minhas tias me davam uma graninha para que eu pudesse gastar no jornaleiro com os gibis.  Lia tudo: de Brasinha a Bolota, Sitio do Picapau Amarelo a Turma da Monica, Mandrake a Mortadelo e Salaminho, Luluzinha a Shazam.

Lógico que sofri muito bullying no colégio.  Eu era totalmente nerd, mas não levava desaforo pra casa.  Brigava quase todo dia, já quebrei os dentes de um companheiro de turma (que mais tarde até se tornou um grande amigo), era muito zoado por não saber andar de bicicleta (e não aprendi até hoje), mas comecei, aos poucos, a me defender sozinho e formar meu grupinho.  Como eu gostava muito de ler e meus pais não tinham muitas condições financeiras, eu lavava carros dos vizinhos e ganhava uns trocados. Com uma pequena mesada da minha avó, eu colecionava álbuns de figurinhas, comprava meus gibis e ainda sobrava dinheiro para comprar raspadinha (que era uma espécie de gelo picado com groselha).

Sempre tive medo de morrer entalado em areia movediça.  Aos poucos, vocês vão ficar sabendo sobre esses terríveis temores por aqui.  Mas tomar café com nata de leite e passar Merthiolate nos joelhos ralados equivaliam a uma pena de morte das mais cruéis para mim.  Meus pais sabiam disso.  E usavam essa tática para me ameaçar.

Me apaixonei pouquíssimas vezes, mas era sempre aquele amor dramático, de fazer pacto, de morrer juntos, como uma tragédia shakespeariana ou como mais tarde pude constatar na letra de “There´s a light that never goes out”, dos Smiths… “to die by your side / such a heavenly way to die…”.  Veio a adolescência chegou e me tornei um galinha.  Aquela carinha de menino tímido sempre era motivo de atração, mas na verdade, eu de santo, não tinha nada.  Mas depois, fiquei bem mais quietinho…  Fases, sempre elas.

Sempre fui curioso em ouvir coisas novas.  Roubava os discos das minhas tias e da minha mãe para ouvir.  Tinha muito Mutantes, Pink Floyd e Beatles.  Pirei com Sgt. Peppers.  Aquilo era algo inacreditável.  Meu sonho era ser o tal de Billy Shears,e sua banda imaginária.  Acho que aí entrou o marco zero de minha relação com o rock.  Fugi de casa em 85 para o Rock in Rio só para ver o Queen.  Levei uma surra homérica, mas valeu à pena.  Depois, fiz isso inúmeras vezes e minha mãe desistiu de lutar a queda de braço comigo.

Sempre ouvi coisas diferentes.  Fuçava sebos, comprava discos pela capa, pirei com os Bunnymen, Smiths, Cult e Siouxsie and the Banshees.  Enquanto meus amigos traziam Madonna, Michael Jackson e Phil Collins, no meu walkman eu ouvia Bauhaus, X-Mal Deutchland, The Cure e Mercenárias.  E, foi a fama de esquisitão que fez com que me tornasse popular nos tempos do colégio.  Eu era meio gótico, meio punk, cabelo de Robert Smith com uns quadrados na nuca que a Cindy Lauper fazia.  Torcia pelo Coringa do Batman e recitava Augusto dos Anjos em cemitérios.

Passei a frequentar o Crepúsculo de Cubatão e a Robin Wood, o Caverna, o Circo Voador e o Garage.  Nas minhas férias, ia para Araguari e extravasava.  Por incrível que pareça, nessa pequena cidade foi que ouvi pela primeira vez Pixies, Pavement, Afghan Whigs e Poster Children.  Conheci pessoas geniais com quem passava madrugadas gargalhando, comendo brigadeiro e vendo fadas verdes a partir dos porres de absinto.

Comprei uma guitarra, fazia uns barulhos, montei banda, fiz teatro, fiz cinema, criei o Fanz, estudei jornalismo e entendi, através do amadurecimento, qual era a minha missão.  Perdi pessoas importantíssimas na minha vida, mas sempre tive a sorte de conhecer um batalhão de amigos que sempre me empurravam para cima e adiante.

Acho que na vida, isso é o mais importante.  Essa busca contínua.  Essa curiosidade incessante.  O frio na barriga sempre presente quando sabemos que podemos surpreender.  Mais e mais.

Não me conformo com a ociosidade.  Por isso vivo no olho do furacão.  “Uma coisa de cada vez, mas tudo ao mesmo tempo agora”.  Trabalho, amor, amigos, família, banda, dissertação de mestrado, livro, filme, Fanz.

Tudo aqui.  30 horas por dia.

“Temos nosso próprio tempo.  Somos tão jovens!”

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